terça-feira, 30 de março de 2010

50 lições que a vida me ensinou. Por Regina Brett

Imaginem ter consciência disso aos 20 anos? Isso deveria ser ensinado na escola!

1.A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiver em dúvida, apenas dê o próximo pequeno passo.
3 A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém.
4. Não se leve tão à sério. Ninguém mais leva...
5. Pague suas faturas de cartão de crédito todo mês.
6. Você não tem que vencer todo argumento. Concorde para discordar.
7. Chore com alguém. É mais curador do que chorar sozinho.
8. Está tudo bem em ficar bravo com Deus. Ele aguenta.
9. Poupe para aposentadoria começando com seu primeiro salário.
10. Quando se trata de chocolate, resistência é em vão.
11. Sele a paz com seu passado para que ele não estrague seu presente.
12. Está tudo bem em seus filhos te verem chorar.
13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem ideia do que se trata a jornada deles..
14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, você não deveria estar nele.
15 Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não se preocupe, Deus nunca pisca.
16. A vida é muito curta para longas piedosas festas. Esteja ocupado vivendo ou esteja ocupado morrendo.
17. Você pode fazer tudo se começar hoje.
18. Um escritor escreve. Se você quer ser um escritor, escreva.
19. Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só depende de vocÊ e mais ninguém.
20. Quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, não aceite não como resposta.
21. Acenda velas, coloque os lençóis bonitos, use a lingerie elegante. Não guarde para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Se prepare bastante, depois deixe-se levar pela maré..
23. Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém é responsável pela sua felicidade além de você.
26. Encare cada "desastre" com essas palavras: Em cinco anos, isso vai importar?
27. Sempre escolha a vida.
28. Perdoe tudo a todos.
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura tudo. Dê tempo ao tempo.
31. Indepedentemente se a situação é boa ou ruim, ela irá mudar.
32. Seu trabalho não vai cuidar de você quando você adoecer. Seus amigos e seus pais vão. Mantenha contato
33. Acredite em milagres
34. Deus te ama por causa de quem Deus é, não pelo o que você fez ou deixou de fazer.
35.O que não te mata, realmente te torna mais forte.
36. Envelhecer é melhor do que a alternativa: morrer jovem
37. Seus filhos só têm uma infância. Faça com que seja memorável.
38. Leia os Psalms. Eles tratam de todas as emoções humanas
39. Vá para a rua todo dia. Milagres estão esperando em todos os lugares
40. Se todos jogassemos nossos problemas em uma pilha e víssemos os de todo mundo, pegaríamos os nossos de volta.
41. Não faça auditoria de sua vida. Apareça e faça o melhor dela AGORA!
42.Se desfaça de tudo que não é útil, bonito e prazeiroso.
43.Tudo o que realmente importa no final é o amor.
44. Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
45. O melhor está por vir.
46. Não importa como você se sinta, levante, vista-se e apareça.
47. Respire fundo. Isso acalma a mente.
48. Se você não pedir, você não ganha.
49. Produza.
50. A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente!!!


http://www.reginabrett.com/life_lessons.php


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segunda-feira, 22 de março de 2010

Amor bondade, compaixão, alegria altruísta e equanimidade.

O sabor da liberdade que permeia os ensinamentos do Buda é o sabor da liberdade espiritual, que na perspectiva Budista significa a libertação do sofrimento.

No processo de emancipação do sofrimento, a meditação é o meio para gerar o despertar interior necessário para a libertação. Os métodos de meditação ensinados na tradição do Budismo estão baseados na própria experiência do Buda, forjados por ele durante a sua própria busca pela iluminação.

Eles estão desenhados para recriar, no discípulo que os pratica, o mesmo tipo de iluminação que o próprio Buda alcançou quando ele sentou sob a figueira-dos-pagodes, o despertar para as Quatro Nobres Verdades.

Devemos, no entanto, lembrar que o Buda recomendou de maneira enfática que cultivemos quatro moradas divinas ou estados sublimes da mente: amor bondade, compaixão, alegria altruísta e equanimidade.

Se você ama agora e odeia depois. Se você ama quando quiser e odeia quando quiser. Você ama quando tudo está bem e sem problemas e odeia quando alguma coisa dá errado no relacionamento entre você e a outra pessoa. Se o seu amor muda dessa forma de tempos em tempos, de lugar em lugar e de situação para situação, então o que você chama de "amor" não é o amor verdadeiro (amor bondade ou metta) mas sim desejo, cobiça ou luxúria - de nenhuma forma isso é amor.

O tipo de amor bondade (metta) a que ele se refere não possui um oposto ou um motivo velado. Assim, a dicotomia amor-ódio não se aplica ao amor bondade cultivado através da sabedoria ou da atenção plena, pois ele nunca irá se transformar em ódio à medida que as circunstâncias mudarem. O verdadeiro amor bondade é uma faculdade natural que está oculta sob o amontoado de desejo, raiva e ignorância. Ele não pode ser dado. Nós precisamos encontrá-lo dentro de nós mesmos e cultivá-lo com a atenção plena. A atenção plena o descobre, cultiva e mantém. A consciência do "eu" se dissolve com a atenção plena e o seu lugar é tomado pelo amor bondade isento de egoísmo.

Antes de nos dedicarmos à prática desses estados nobres da mente, devemos superar a raiva, que é uma maneira impensada de desperdiçar a própria energia. A raiva, quando ativa, se compara à água fervendo ou, quando não é expressa, ao preconceito.
Ela pode destruir a nossa prática de meditação e o treinamento das virtudes.

A raiva em si impede que tenhamos uma visão correta das coisas e consequente desenvolvimento do amor verdadeiro.

A compaixão (karuna) num sentido mais abrangente: "ação compassiva", leva em conta toda e qualquer ação realizada no sentido de amenizar o sofrimento dos outros seres. Assim, na medida em que ajudamos os outros e facilitamos o seu processo de cura e transformação, todos nos beneficiamos, em virtude da unicidade de todos os seres.

A alegria altruísta (mudita) é o prazer que vem com a felicidade das outras pessoas. É comemorar a felicidade e a realização em outras pessoas, mesmo quando estamos diante de tragédia em nós mesmos. Mais amplamente como uma referência a uma mola interior de alegria infinita que está disponível para todos em qualquer momento, independentemente das circunstâncias.
O exemplo tradicional deste estado mental é a atitude de um pai observando um filho que cresce cheio de realizações e sucessos.

A equanimidade (upekkha) é a não indiferença, no sentido de indiferença pelos outros. E uma força espiritual em face das flutuações da fortuna do mundo. É a uniformidade da mente, liberdade (do sofrimento) inabalável da mente, um estado de equilíbrio interior que não pode ser rompido por ganho e perda, a honra e a desonra, louvor e culpa, prazer e dor, etc.
Na medida em que abandonamos os pensamentos "meu" ou "auto" nós permitimos nosso coração entrar num estado de equanimidade. Assim não sofreremos os efeitos da agitação causados pela luxúria, ganância, raiva, ódio, ego, etc. E estaremos caminhando para um estado de libertação.
Equanimidade é o estado supremo onde o amor bondade, compaixão e alegria altruísta podem se manifestar plenamente.

O caminho é árduo mas como sustentado por buda, o caminho é uma espiral, a cada virtude que melhoramos, ajudamos a melhorar todas as outras.

www.what-buddha-taught.net
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As Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo

(Roda do Dharma, representa o nobre caminho óctuplo)

As quatro nobres verdades foram compreendidas pelo Buda em sua Iluminação. Pra erradicar a ignorância, que é a fonte de todo o sofrimento, é necessário entender As Quatro Nobres Verdades e caminhar pelo Nobre Caminho Óctuplo.

As Quatro Nobres Verdades são:

#1: A Verdade do Sofrimento: A vida é sofrimento. A vida está sujeita a todos os tipos de sofrimento, sendo os mais básicos o próprio nascimento (já chegamos nesse mundo com dor e medo), o envelhecimento, doença e morte. Ninguém, independente de quaisquer condições, está isento deles.

#2: A Verdade da Causa do Sofrimento: A ignorância leva ao desejo e à ganância, que, inevitavelmente, resultam em sofrimento. A ganância produz apego, uma das raízes do sofrimento.

#3: A Verdade da Cessação do Sofrimento: A cessação do sofrimento advém da eliminação total da ignorância e do desapego à ganância e aos desejos, alcançando um estado de suprema bem-aventurança ou Nirvana, onde todos os sofrimentos são extintos.

#4: A Verdade do Caminho que leva à Cessação do Sofrimento: O caminho que leva à cessação do sofrimento é o Nobre Caminho Óctuplo.

O Nobre Caminho Óctuplo

#1: Compreensão Correta: Conhecer as Quatro Nobre Verdades de maneira a entender as coisas como elas são.

#2: Pensamento Correto: Desenvolver as nobres qualidades da bondade amorosa, não querendo causar o mal (nem em pensamento), não ser avarento, e em suma, não ser egoísta.

#3: Palavra Correta: Abster-se de mentir, falar em vão, usar palavras ásperas ou caluniosass, e ao invés disso, falar a verdade, ter uma fala construtiva, harmoniosa e conciliadora.

#4: Ação Correta: Abster-se de matar, roubar, ter conduta sexual indevida, e ao invés disso, promover a vida, praticar a generosidade e não causar o sofrimento.

#5: Meio de Vida Correto: Evitar qualquer ocupação que prejudique os demais, tais como o tráfico de drogas ou matança de animais. Manter-se com hábitos saudáveis de comer, fazer exercícios, dormir, aprender, etc. Viver de maneira a melhorar a saúde, ser mais eficiente e criar harmonia, eficiência e saúde para todos.

#6: Esforço Correto: Praticar autodisciplina para obter o controle da mente desenvolvendo estados de mente sãos, de maneira a evitar estados de mente maléficos.

#7: Plena Atenção Correta: Desenvolver completa consciência de todas as ações do corpo, fala e mente para que nunca sejam esquecidos os objetivos ideais de fazer o bem a todos os seres, evitando assim, os atos insanos.

#8: Concentração Correta: Manter a mente calma e concentrada para obter a serenidade mental, sabedoria completa e verdadeira a partir da qual surgem os pensamentos e ações corretas. Manter a mente clara e brilhante em tranquila atividade (referência aos estados meditativos).

"Aqueles que aceitam este Nobre Caminho como um estilo de vida viverão em perfeita paz, livres de desejos egoístas, rancor e crueldade. Estarão plenos do espírito de abnegação e bondade amorosa"

Venerável Mestre Hsing Yün.

terça-feira, 16 de março de 2010

O mito do amor perfeito

"Amar é exercício de descobrir o que o outro tem de mais lindo, mas também de mais vergonhoso. Amores perfeitos só existem nas projeções. Ou nos jardins..."

Amores perfeitos só existem nas projeções. Ou nos jardins...

Trecho do livro "Quem me roubou de mim" do Padre Fábio de Melo, essa parte do livro ilustra o que é o amor e o que achamos que o amor é .

O mito do amor romântico parece ter entrado na sociedade ocidental na Idade Média. Algumas pistas indicam que sua primeira aparição na literatura foi por meio do conto de amor vivido entre Tristão e Isolda. Não entraremos aqui neste mérito. O que nos importa é evidenciar um pouco da estrutura e das influências que este mito legou às sociedades.

O mito do amor romântico é muito mais que uma forma de amor. É todo um conjunto psicológico, tecido de expectativas e idealizações onde pessoas e realidades são inseridas.

No mito do amor romântico a paixão prevalece. Assim, cria-se a ilusão de que o foco da paixão condensa todas as soluções dos problemas existentes na vida. O outro acaba se tornando uma construção, cujos tijolos foram retirados dos insondáveis terrenos de nossas carências e necessidades.

No mito do amor romântico, a pessoa amada é vista, de forma consciente ou não, como a primeira responsável pela satisfação dos desejos e necessidades de seu amante. Uma forma de encantamento parece inibir a percepção da realidade de maneira que a relação passa a representar um perigo para aqueles que dela fazem parte.

Sempre que falamos de mito do amor romântico, estamos, de alguma forma, evocando um inconsciente coletivo fortemente influenciado pela interpretação deste mito a respeito das relações amorosas.

Jung, grande nome da Psicologia contemporânea, demonstrou, por meio de sua reflexão, que quando um indivíduo vive um importante e marcante fenônemo psicológico, um grande potencial inconsciente está vindo à tona, emergindo, prestes a manifestar-se ao nível da consciência. Segundo ele, o mesmo pode ser dito quando o assunto é coletívidade. Do inconsciente coletivo de um povo pode surgir uma nova ideia, crença, paradigma, que é mantida por este povo.

Histórias contadas pelo povo são histórias que narram sobre o povo. E assim. As construções míticas e as elaborações folclóricas de uma cultura revelam o bojo de suas compreensões e estruturas. Somos nós os escritores dos contos que nos contam.

A literatura é o lugar desta revelação. As histórias construídas são expressões vivas do inconsciente coletivo que o escritor representa. Um exemplo disso são os contos de fadas. E impressionante o quanto eles são capazes de serem densos de significados.

Podemos identificar que o mito do amor romântico está naturalmente expresso em alguns contos de fadas. Sabemos, por experiência, que contos de fadas são histórias fascinantes. Elas evocam o sonho que o ser humano tem de protagonizar uma história de amor perfeito: amores homéricos entre príncipes e plebeias, bela adormecida, princesa acorrentada na torre esperando por seu príncipe que virá montado em um cavalo branco...

Tudo construído para tentar ilustrar o profundo psicológico de um povo que precisa resolver suas carências e necessidades. O amor e seus personagens fascinantes protagonizam aquilo que a humanidade gostaria de experimentar na carne real da existência.

Os personagens dos contos de fadas seguem nesta ordem. As histórias seguem o mesmo fio de trama. O sofrimento da restrição. A plebeia, odiada pela madrasta, é impedida de ir ao baile. O sofrimento do borralho, a humilhação das enteadas, o desprezo de todos. A fada, por sua vez, bondosa e complacente, retira a pobre moça de seu abandono e lhe confere uma magia que a possibilita de participar do grande baile. O encanto está lançado. Mas este encanto tem tempo definido para durar. Meia-noite é o limite para que o amor aconteça. E assim acontece. O príncipe reconhece na menina pobre, que agora não aparenta ser pobre, a mulher de sua vida. O encanto prevalece até que os ponteiros do relógio anunciam meia-noite.

Desfeita a magia, o príncipe se põe a procurar a proprietária dos sapatos de cristal que ficaram esquecidos na escadaria do palácio real. Depois de prolongada busca, príncipe e plebeia se encontram, e, contrariando as expectativas da madrasta, casam-se c vivem felizes para sempre.

Veja bem. Nos mais diversos relatos de amor que pertencem à literatura, o mito do amor romântico prevalece no momento em que a realidade é construída a partir de seres humanos idealizados. O velho chavão que geralmente vem cravado no final das histórias — "e viveram felizes para sempre" - retira o amor de sua continuidade processual, que consiste em dores e alegrias.

No mito do amor romântico, o sofrimento é sempre portal da casa. Não há sofrimento na continuidade dos relatos. A expressão "felizes para sempre" funciona como uma negação do processo comum dos humanos, como se o amor fosse uma realidade que está distante de ser precária. O beijo final parece selar uma história em que não caberão limites e aborrecimentos. E a idealização da relação, em que cada parte deverá cumprir o papel de projetar e ser projetado como personagem que viverá feliz para sempre, ainda que sem esforço.

A vida real não corresponde aos relatos dos contos de fadas. Não estamos acostumados a encontrar fadas madrinhas que transformam, num toque de mágica, a borralheira em princesa admirável. O processo humano é doloroso. Nossos sapatos não são de cristais, nossos cavalos são mancos e não há carruagens paradas às portas de nossas casas esperando para nos levar aos destinos de nossos sonhos. A vida nos mostra que transformações mágicas não existem, da mesma forma como amores perfeitos estão distantes de nossos olhos.

O que temos e podemos é a aventura de encontrar alguém, e ao lado dele construir uma história de vida comum, felicidade que nasce do duro processo de sermos promotores uns dos outros por meio do amor que sentimos.

O conceito de amor não pode ser aprisionado por esta visão romântica, que não sabe considerar os limites como positivos para o crescimento humano. Tampouco pode reduzir o desejo à condição de prazer.

O sonho que sonhamos não pode ser projeção infértil. Ele tem que estar sempre preso à realidade, afinal, é nela que estamos sustentados.

A vida nos demonstra que a génese das frustrações humanas está na inadequação entre aquilo que sonhamos para nossa vida com aquilo que de fato nos acontece. Somos incentivados a sonhar alto, a projetar grandes empreendimentos e a colocar nossos esforços para extrair o máximo que pudermos da vida. Não há nenhum erro em tudo isso. O grande problema não está em sonhar alto. Isso é fácil. O difícil está em continuar vivos quando o pedestal do sonho não suportar o nosso peso e dele cairmos.

Somos preparados para o sonho alto, mas ainda não aprendemos a nos manter vivos quando a vida é rasa. Nossa educação não costuma nos preparar para os fracassos. Não somos treinados para o último lugar do pódio, mas sim para o primeiro.

A infância é o tempo dos heróis. Homens e mulheres dotados de poderes extraordinários povoam o universo das crianças. Era como se nosso limite original fosse esquecido cada vez que nos colocamos nas asas do super-homem, ou empunhamos o laço da mulher maravilha.

A construção do herói está a serviço da projeção que nos retira da realidade. Infância é o tempo das idealizações. Todos nós fomos marcados pelos heróis de nossos tempos. Eles legitimavam nosso desejo de não sermos comuns. Legitimavam nossa insatisfação com nossa condição de limite e precariedade.

Um herói é, para uma criança, uma idealização que lhe permite criar um mundo próprio. Nesse mundo, joelhos esfolados não existem. O que existe é a força que não se dobra, é o braço que não se cansa, é o herói que sempre vence.

Na saga dos heróis, todas as fragilidades humanas parecem redimidas. Neles e por eles deixamos de esbarrar nos limites que nos envergonham e nos expõem frágeis.

Pode nos parecer estranho, mas essa compreensão também está, de alguma forma, enraizada no mito do amor romântico, que tantas vezes determina as realidades da vida, das mais simples às mais complexas.

Podemos identificar na verdade que, antes de o mito do amor romântico atingir as relações, ele atinge a forma como o ser humano interpreta a si mesmo. A visão romanceada do humano parece estabelecer uma inimizade entre a pessoa e seus limites.

Pode nos parecer estranho, mas quanto maior é a negação dos limites que nos são próprios, maior parece ser o domínio que eles exercem sobre nós. Acolher os limites que lhes são próprios é um jeito da pessoa reconciliar-se consigo mesma.

Pois bem, sair do contexto dos heróis requer esforço. Olhar para si e reconhecer que mesmo sem asas será possível alcançar sucesso na vida será uma transposição considerável.

Um dos elementos que acena para nosso amadurecimento como pessoa é justamente nossa capacidade de enfrentar a realidade sem as facilidades da fuga.

E claro que a vida não é possível sem as projeções. O importante é estabelecer um equilíbrio entre aquilo que projetamos e aquilo que podemos esperar de nós mesmos. Em cada pessoa existe uma condição, um estatuto que a identifica, como limites e possibilidades. O equilíbrio se dá nessa junção. Entre o que podemos e o que não podemos está o espaço do crescimento que nos favorece a conquista da condição de pessoa.

Um círculo não pode ser quadrado. Esta regra vale para o que estamos dizendo. O grande problema das projeções, que são próprias dos contos de fadas e que expressam bem o mito do amor romântico, é justamente a tendência humana de querer que o círculo seja quadrado.

Toda vez que recusamos os limites de nossa condição e nos imaginamos como heróis invencíveis, de alguma forma estamos desfazendo o equilíbrio que pode nos fazer crescer. A mesma coisa acontece nas relações. Há sempre o risco de querermos fazer o outro ser a medida de nosso desejo. Por uma insatisfação pessoal, projetamos no outro uma perfeição que gostaríamos de encontrar em nós mesmos.

No momento em que identificamos essa inadequação, no instante em que percebemos que o outro não é perfeito, desfaz-se o encanto. A Cinderela volta a ser gata borralheira, o príncipe volta a ser sapo, e o que antes dizíamos ser experiência de amor eterno transforma-se em amor que valeu enquanto durou.

As velhas histórias registradas no inconsciente coletivo das pessoas — em que heróis salvam suas princesas acorrentadas nas torres e depois vivem felizes para sempre — são registros que seguram esta desilusão constante no tempo. Elas se opõem radicalmente ao que consideramos ser amor de fato. Amar não é cultivo de perfeição, mas o contrário. Ê empenho de superação de limites. É cultivo constante que nos aproxima da realidade e que nos capacita para continuarmos desejando que o outro continue ao nosso lado.

Amar é exercício de descobrir o que o outro tem de mais lindo, mas também de mais vergonhoso. Amores perfeitos só existem nas projeções. Ou nos jardins...

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sexta-feira, 12 de março de 2010

A relatividade do tempo

Fazendo alguma coisa ou não, o tempo vai passar do mesmo jeito. Então, aproveite e dê um jeito de seu tempo passar melhor!

segunda-feira, 8 de março de 2010

O poder de amar

Hoje faco uso dos versos de Zélia Duncan...

Todos os verbos

Errar é útil
Sofrer é chato
Chorar é triste
Sorrir é rápido
Não ver é fácil
Trair é tátil
Olhar é móvel
Falar é mágico
Calar é tático
Desfazer é árduo
Esperar é sábio
Refazer é ótimo

Amar é profundo
E nele sempre cabem de vez
Todos os verbos do mundo

Abraçar é quente
Beijar é chama
Pensar é ser humano
Fantasiar também
Nascer é dar partida
Viver é ser alguém
Saudade é despedida
Morrer um dia vem

Mas amar é profundo
E nele sempre cabem de vez
Todos os verbos do mundo

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sábado, 6 de março de 2010

Nunca é tarde!

Nunca é tarde para acordar e sair da nossa vida construída sobre os valores nosso ego e realmente enxergarmos quem somos.

So basta termos vontade e uma orientação para entender que todos somos seres divinos e percebermos que é tão fácil praticar o amor, a generozidade, a fala construtiva, etc. quanto lamentarmos das coisas más que acontecem conosco.

É tudo uma questão de perceber quem realmente somos e ter força para mudar.

Pois nunca é tarde para mudar. Quando percebemos quem realmente somos, não conseguimos mais viver sobre os valores do nosso ego, nesse ponto acordamos e fazemos as coisas acontecerem.

Como já disse Fernando Pessoa em Tabacaria:
"(...)
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.

O dominó que vesti era errado.

Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.

Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.

Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.

Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo

E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
(...) "

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segunda-feira, 1 de março de 2010

Tudo vale a pena se a alma não é pequena

MAR PORTUGUÊS
(Fernando Pessoa)

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

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